Desaparecimento de Andressa Castilho completa 52 dias. Pai pede ajuda para exames de DNA e encontrar corpo

No Compaj, numa área de lazer para os detentos, foi encontrado material como sangue e machadinha ligados à execução de detento, última pessoa que teria visto Andressa. Fotos: Divulgação

Cinquenta e dois dias depois do desaparecimento de Andressa Castilho, 23, sumida desde o dia 28 de novembro após ter feito a última visita ao marido no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), o pai da vítima, Rilson Moraes de Souza, 46, espera ajuda da polícia para descobrir o que aconteceu com a sua filha.

Moraes esteve nesta quinta-feira (18) na Delegacia Geral, no Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), que está à frente das investigações do caso, buscando informações.

Exames de DNA

O pai de Andressa aguarda o resultado de exames de DNA que estão com a perícia criminal feita em um tufo de cabelo e em vestígios de sangue encontrados perto de uma bolsa feminina localizada numa área de mata nos arredores do presídio.

“Nas incursões feitas com apoio da Polícia Militar, Canil, Corpo de Bombeiros, encontramos uma bolsa, um pedaço de pano com sangue e um tufo de cabelo. O material foi enviado à perícia para identificar se o sangue o cabelo seriam de Andressa. Familiares dela fizeram coleta de amostra genética para saber se o DNA é compatível”, explicou o diretor do DRCO, delegado Guilherme Torres.

Para Rilson, é fundamental ter o resultado do DNA para que a polícia possa dar respostas sobre o que aconteceu com a sua filha. “Espero também que voltem a fazer buscas pelo corpo ao redor do Compaj”, comentou o pai de Andressa, que está cuidando dos três netos, deixados pela filha – um de 7 anos e outros dois menores, de 3 anos e um de apenas 1 ano.

Andressa Castilho sumiu após visitar o companheiro no regime fechado do Compaj. Ela tem três filhos

Suspeito

A polícia tem um suspeito com mandado de prisão preventiva decretada envolvido na execução e sumiço do corpo do detento Daniel Ferreira Chaves, 45, que estava preso por roubo e cumpria pena no regime semiaberto do Compaj.

O crime ocorreu em novembro do ano passado. A decretação da prisão foi informada pelo diretor do DRCO. Daniel é o principal suspeito do desaparecimento de Andressa Castilho.

Principal nome

O detento executado foi, conforme investigações da polícia, a última pessoa a ser vista conversando com Andressa. Daniel, conforme diligências e revista feita no Compaj, foi morto dentro do semiaberto, por outros detentos, tendo o corpo esquartejado com o uso de uma machadinha.

O seu corpo ainda não foi encontrado. A polícia tem áudios de presos e imagens do esquartejamento, assim como provas materiais, como sangue encontrado em uma área conhecida como chapéu de palha. “Temos áudios do preso sendo torturado e fotos de um corpo que já foi reconhecido pelos familiares”, explica Torres.

Revista

O delegado conta que foi feita uma revista no semiaberto, minuciosa, com equipe da Perícia Técnica, onde foram encontrados vestígios de sangue nos locais identificados pelas imagens onde o corpo de Daniel teria ficado, assim como num tijolo que está nas fotos. “O chão do local onde Daniel aparece com os pés e mãos amarradas, e amordaçado, foi identificado como do semiaberto”.

Para Guilherme Torres, as investigações apontam que pelo menos três internos do semiaberto tem participação na execução de Daniel. A motivação não pode ser confirmada para não atrapalhar o caso. O DRCO aguarda o resultado da perícia.

As incursões em áreas de trilha nas proximidades do Compaj continua, conforme adianta o diretor, especialmente para localizar o corpo do detento e mais vestígios que levem até Andressa.

Entrada e saída

Andressa deu entrada no Compaj como visitante às 8h07 e saiu do local às 9h58, após entregar o rancho para o companheiro. Imagens do circuito interno do complexo mostra ela e Daniel conversando na área do semiaberto. Depois disso ela nunca mais foi vista. Daniel desapareceu no mesmo dia.

“Há possibilidade da Andressa estar viva. Só o resultado da perícia técnica vai poder confirmar se ela pode estar morta”, falou o diretor do DRCO.

Compensa

Andressa mora na rua São Vicente de Paula, na Compensa, zona Oeste. Todo o mês, segundo parentes, ela visitava o companheiro no Compaj. A Delegacia Especializada de Ordem Política e Social (Deops) também atua no caso.

Quem puder colaborar com informações que levem ao paradeiro de Andressa Castilho pode entrar em contato com a polícia pelos telefones (92) 3214-2268/Deops ou falar diretamente com os familiares da moça pelo telefone (92) 99104-0245.

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