As aventuras de um casal amazonense em sofisticado SPA do interior paulista

SPA é um teste de resistência para poucos

A imagem é puramente ilustrativa. Qualquer semelhança com fatos, pessoas ou lugares terá sido mera coincidência

A briga por silhueta mais delgada e a eterna ameaça de obesidade têm se transformado em obsessão da vida moderna. Um casal amazonense, após várias tentativas com regimes da moda, resolveu radicalizar. Decidiu passar uma semana num dos mais festejados SPAs do interior de São Paulo, em busca de emagrecimento rápido.

O local possui médicos de todas as especialidades envolvidas no regime. De endocrinologista a cardiologista, auxiliados por fisioterapeutas e nutricionistas, com todo tipo de exame disponível.

 

Coxinha

O casal, ainda no aeroporto em São Paulo, foi recepcionado por um cordial motorista do SPA. Papo vai, papo vem, o funcionário perguntou se eles já conheciam a “coxinha da Rosa” (nome suposto. Ou você descobre o nome do santo). “É a melhor do Brasil. Ninguém deve vir aqui sem comer essa coxinha”, disse.

Os dois se entreolharam. Ficaram curiosos sobre o que uma coxinha tinha a ver com o SPA e a perda dos quilinhos a mais. Mas a conversa ficou por ali.

 

Revista no SPA

Na chegada ao internato, onde passariam a semana, foram minuciosamente revistados para saber se não tinham nenhuma comida escondida. “A regra é clara, disse um diligente funcionário, se for encontrado com qualquer comida, fora da oferecida pelo SPA, você é expulso”.

Os amazonenses souberam que o filho de um figurão paulista havia sido surpreendido comendo uma barra de chocolate. Foi expulso na hora. Furioso pela humilhação, ele alugou um helicóptero e jogou centenas de caixas de chocolates no terreno do SPA.

Como os dois estavam dispostos a todo sacrifício, qualquer história servia para aumentar a convicção de ter ido ao lugar certo.

Veio o primeiro dia. Descobriram que as dietas deles seriam de apenas 300 calorias/ dia.

 

Feijoada, picanha e sopa

Cardápio do almoço: feijoada, picanha e sopa. Os dois, já famintos e acostumados ao menu amazonense, foram um de feijoada e outro de picanha. Quebraram a cara! As porções de feijoada e picanha eram minúsculas, inteiramente sem sal. A sopa, com muito líquido, era um pratão sortido.

Todos os dias, após o almoço, vinha logo o cardápio do jantar, sempre cheio de “pegadinhas”. Logo descobriram que sopa era a melhor opção.

 

Hora do lanche

Outras rotinas foram incorporadas à vida do casal, após o primeiro dia no SPA.

Uma delas era a hora do lanche, às 10h e às 15h. Todos tinham que deixar seus quartos e ir buscar a porção de alimento na cozinha. A direção oferecia 15 minutos de prazo, após o horário marcado, e depois recolhia tudo. O marido, encarregado da tarefa, faminto, disparava pelos corredores. E depois voltava, no início muito frustrado, depois feito uma criança, com pequenos volumes de papa, sem açúcar, nos fundos de dois copos.

Os internos também podiam ir ao cinema. O SPA montava fiscalização severa. Todos se animaram quando viram o anúncio de “cinema com pipoca”.

Ainda no carro, a caminho da sessão, a pipoca foi distribuída. Dois saquinhos, um para cada, com um quinto do conteúdo da pipoca tradicional. Sem sal!

 

Mal e morte

Os dois explodem em risos quando lembram que aquela foi uma das primeiras brigas do casal. A mulher, “distraidamente”, começou a comer pipocas dos dois sacos. O marido assistiu calado as primeiras vezes e então explodiu: “Você está comendo a minha pipoca?”. E ela: “Você vai brigar comigo por causa de uma pipoca?”. Ele: “Não, mas deixa meu saco em paz”. “Então fica com essa pipoca que eu não quero mais saber”, disse ela. Os dois assistiram o filme inteiro de mal e morte.

A esposa confessa que sonhava, durante a noite, mordendo um suculento bife. O marido pensava num peixe amazonense, assado, com baião e farofa. Os dois se sentiam numa masmorra, torturados pelo desejo de comer, embora também revelem que não sentiam fome. Era só a gula falando mais alto.

 

Bônus

Os planos eram para uma semana. Ainda ganharam um bônus de dois dias. Mas só aguentaram cinco dias.

Pediram para sair e resistiram a todos os apelos da direção para completarem o ciclo de emagrecimento. O marido perdeu seis quilos e a esposa cinco. Mas estavam se sentindo arrasados, enfraquecidos e ansiosos por uma refeição de verdade.

Saíram e lembraram de imediato da “melhor coxinha do Brasil”. Correram para a “coxinha da Rosa”. Comeram até se fartar. Depois seguiram direto para uma tal “feijoada do Ivan”.

Entre coxinhas, paios, calabresas, costeleta de porco e feijão, muito feijão, os dois recuperaram em menos de duas horas quase tudo o que haviam perdido nos cinco dias de sacrifícios no SPA. E voltaram para Manaus convictos de que é melhor uma vida regrada que a imposição de dietas castrenses.

Quem são os dois? Claro que o perfil se encaixa em inúmeros casais que se matam em academias e só falam em regimes. O portal, porém, que é um túmulo, jamais revelará os nomes dos ditos cujos.

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