Capitão da PM é condenado a 48 anos de prisão por chacina em 1998

Capitão da PM Jackson Gama Feitosa foi condenado por homicídio duplamente qualificado de três homens da mesma família. Crime ocorreu em 1998. Foto: Divulgação

Após 19 anos, o capitão da Polícia Militar, Jackson Gama Feitosa foi condenado a 48 anos de prisão pelo conselho de sentença da 2a Vara do Tribunal do Júri. Ele é réu no crime de triplo homicídio de uma mesma família, ocorrido em 1998.

Na época, foram assassinados o mestre de obras Júlio Smith Barbosa, Charles Smith Barbosa e André Correa Barbosa, respectivamente pai, filho e sobrinho. Eles foram sequestrados durante uma blitz comandada pelo PM e mais três policiais, à paisana, executados e os corpos desovados numa área de mata no conjunto Tocantins.

À época, o terceiro sargento – e mais três pessoas, todos à paisana, armados com revólver e utilizando um veículo modelo Gol de placa JWH 6890, se posicionaram na rua Danilo Areosa, bairro da Compensa I, zona Oeste de Manaus, onde passaram a realizar uma suposta blitz, revistando pessoas e veículos que passavam no local. Foi quando abordaram o veículo modelo Kadette, em que viajavam as três vítimas.

Conforme relatos de testemunhas, constantes no inquérito policial, as três vítimas chegaram a ser agredidas antes de serem levadas – no Gol e no Kadette – pelos quatro homens, sob a acusação de serem membros de “galeras”. Horas depois, Júlio, Charles e André foram encontrados mortos, com tiros na cabeça.

Pela morte de cada uma das vítimas o capitão pegou a pena de 16 anos, em regime fechado, por homicídio duplamente qualificado. O Ministério Público deverá pedir o cumprimento imediato da pena. O PM também perde o cargo na corporação pela condenação.

Medida judicial

O julgamento terminou na noite desta quarta-feira (8), sendo presidido pelo juiz auxiliar Rafael Raposo, tendo na acusação o promotor de Justiça Ednaldo Medeiros, e na defesa do réu o advogado Anielo Aufiero.

Durante os 19 anos até o julgamento de ontem, o PM conseguiu adiar ao máximo sentar no banco dos réus com vários recursos e se manteve na corporação por força de medida judicial. Nesse período, ele também subiu de posto, passando de praça para oficial.

O crime ocorreu em 4 de junho de 1998. No dia, o trio foi abordado no Alvorada, zona Centro-Oeste, numa blitz da PM, com os policiais à paisana. As vítimas foram encontradas no dia seguinte no matagal.

Tentativa de homicídio

Em dezembro de 2015, o capitão se envolveu em outra ocorrência, uma tentativa de homicídio contra um policial militar lotado na Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM).

O capitão efetuou seis disparos contra o PM Eder dos Santos Fernandes, 33, dos quais dois atingiram as pernas da vítima. Na época, foi aberto um inquérito policial para apurar o fato, que será encaminhado à Justiça Militar.

Uma testemunha contou que antes dos tiros houve um discussão entre os motoristas, que estavam na rua Herman Lima, conjunto Aruanã, bairro Compensa 1, zona Oeste. O capitão já desceu do carro atirando contra o PM.

Em nota, na época, a SSP-AM informou que a Corregedoria-Geral abriria sindicância para apurar o fato ocorrido.

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