Quinta-feira, 26 de abril de 2018

Manaus, 348 anos: ‘Learn, earn, serve’, aprender, ganhar e servir

"Learn, earn, serve", o lema norte-americano, pode ajudar muito Manaus

Manaus chega aos 348 anos precisando mais que nunca do cidadão

“Learn, earn, serve” é o lema sob o qual os norte-americanos dividem a vida. Eles entendem que só estarão completos após aprender um ofício, ganhar a vida e depois servir ao seu país, à comunidade. Quem nos lembra é Nizan Guanaes, esse grande publicitário brasileiro, em belo artigo onde exalta o desprendimento de Abílio Diniz. Isso vem a calhar, no momento em que Manaus completa 348 anos.

O cidadão manauara, em geral, liga para os programas de rádio e televisão reclamando do lixo na rua, do mato alto. Quando o repórter vai checar a notícia – aquele do jornalismo à moda antiga – descobre dura realidade. É o próprio morador que descarta os resíduos na rua e o mato toma conta da calçada da casa dele.

É obrigação da Prefeitura coletar o lixo e evitar que o mato cresça nas ruas. Gasta-se milhões com isso. É uma das indústrias mais caras do Município. Por quê? Porque o cidadão quer o carro coletor passando todos os dias, às vezes mais de uma vez, para pegar o saco que atira loucamente.

No Natal, quando os garis ganham um dia de folga, a cidade fica lastimável. Todo resto de festa vai parar na rua, fazendo a alegria dos vira-latas, entupindo sarjetas e bueiros, atraindo pragas.

Manaus não mudará com prefeito. Nem com governador. Tampouco com secretário mais ou menos eficiente. Só vai mudar se o cidadão manauara se transformar num agente cobrador, severo, duro, atento… mas que faça sua parte.

Há exemplos nítidos do que pode ser feito.

Paris, a cidade na qual Manaus costuma se espelhar – já foi, afinal, a “Paris dos trópicos”- era um lixo. As ruas eram tão pequenas que as carruagens, para passar, jogavam lama nos pedestres. Quando? No tempo das cavernas? Eis aí a grande surpresa, na história da cidade.

Napoleão III, sobrinho de Napoleão Bonaparte, nomeou Georges-Eugène Haussmann, o Barão Haussmann, prefeito da cidade, em 1853. Se a gente quiser uma referência local é só lembrar da grande enchente de 1953 no Amazonas. Cem anos separam os dois eventos. Isso mesmo: apenas 100 anos.

O “artista demolidor”, como Haussmann ficou conhecido, reconstruiu Paris, com os bulevares, como o Champs-Elysées, e prédios públicos, como a Ópera de Paris, entre 1853 e 1870. Foram apenas 17 anos de obras.

Haussmann passou a limpo Paris, cidade modelo do mundo, no tempo correspondente a quatro mandatos de prefeito em Manaus. O último ano, para quem fará a conta exata, é o do inexorável, onde o fato consumado estaria posto.

Dezessete anos.

Rodrigo Barbosa Fróes, diretor da Escola Municipal Antônio Matias Fernandes, no bairro União, Zona Centro-Sul de Manaus, é outro bom exemplo. Ele podia lamentar a falta de apoio, os meios precários, salário baixo etc. Criou, porém, ao assumir o cargo, um projeto chamado “Escola de qualidade, responsabilidade de todos”. Foi reconhecido, ano passado, como Melhor gestor do Brasil, vencedor do Prêmio Educador Nota 10. Trata-se de concurso nacional da Fundação Victor Civita, que, na ocasião, teve mais de 5 mil inscritos.

Veja o vídeo.

Adalto Carneiro Portela Filho, administrador de uma família de comerciantes do Centro de Manaus, decidiu fazer um posto de combustíveis. Podia ser obra apenas para dar uso à terra, adquirida antes da atual Ponta Negra, graças ao tirocínio dos pais. Ele, porém, dedicou dia e noite ao projeto. Foi buscar a melhor experiência nacional. Acabou construindo um mall de sucesso, que vive lotado, e ganhou o prêmio de “Posto mais bonito do Brasil”. Concorreu com 600 inscritos, que foram aqueles que se julgavam com chances entre os 45 mil postos do País.

Os exemplos são inúmeros. Dá pra fazer.

Comece pelo “learn”, exigindo do filho que não falte à escola, cobrando a tarefa, exigindo respeito ao professor. Zé Caiá, pescador, e Raimunda, doméstica, fizeram assim conosco, seus filhos. Não há como descrever o tamanho da gratidão que tal gesto gerou.

A mãe do professor Rodrigo Barbosa Fróes, merendeira, também fez. Obrigou o filho a cumprir o “learn”, ele conquistou o “earn” e chegou ao “serve”.

Manaus será outra se todo cidadão – ou pelo menos a maioria – tiver consciência da obrigação de aprender, ganhar e servir.

Parintins, que completou 165 anos de emancipação dia 15/10, receba cada uma destas palavras como sua também. Parabéns, cidade querida.

Manaus, que tua glória escape do passado e venha logo invadir o presente.

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Um comentário para “Manaus, 348 anos: ‘Learn, earn, serve’, aprender, ganhar e servir

  1. Marco disse:

    É verdade. Temos direitos, mas também deveres. Os cidadãos não fazem o “dever de casa” calçadas em mau estado de conservação, lixo depositado fora do dia e horário regular, solta o cachorro na via pública para ele defecar e urinar fora da casa dele e o dono não ter o trabalho de limpar,

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